Dívidas e dificuldades financeiras fizeram a rede de lojas Obino pedir a recuperação judicial, mecanismo pelo qual as empresas ganham tempo junto aos empregados e credores para arrumar a casa e se capitalizar, sem a necessidade de pedir falência
As demissões feitas até agora são estimadas em 180 empregados, segundo o sindicato de trabalhadores, e a rede confirma que já foram fechadas 20 lojas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Os sintomas da crise na Obino já vinham sendo sentidos por fornecedores e empregados. Como a empresa não havia pago direitos trabalhistas de trabalhadores demitidos, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Bagé ajuizou, junto com a Defensoria Pública da União, ação pedindo o bloqueio de R$ 1 milhão nas contas da empresa, para garantir os recursos dos trabalhadores em caso de falência.
Em Bagé, onde nasceu a Obino, há quase 60 anos, rumores de que algo ia mal começaram pouco depois da morte de seu fundador, Téo Obino, em 2004. Algumas fontes do varejo dizem que, com as vendas em baixa, a rede chegou a receber propostas de compra, mas nenhuma negociação foi concretizada.
Diretor da Lebes, que vende eletrodomésticos e roupas, Otelmo Drebes salienta que a crise na concorrente era conhecida pelo setor e que pode ter faltado uma direção clara na estratégia da empresa. "As redes vivem um bom momento. A Lebes, por exemplo, projeta um crescimento de 15% no seu faturamento em 2010, com a abertura de três ou quatro lojas até o final do ano".
O diretor comercial da Manlec, Atílio Manzoli Jr., comenta que o Rio Grande do Sul oferece às redes um ambiente favorável, já que o consumidor gaúcho prestigia empresas regionais. "Acreditamos no potencial do mercado e torcemos para que a empresa resolva seus problemas" comentou.
(Fonte: ZH)