*Por Adriano Arthur Dienstmann
Outro dia fui procurado por um empresário para desenvolver e implantar um sistema de controles financeiros porque havia vivenciado a desagradável experiência de descobrir que tinha um "sócio" que fazia saques regulares no seu caixa sem avisá-lo. Poucos meses depois, o projeto perdeu a força e as práticas de controle não mudaram muito.
Uma organização não pode viver de espasmos. Culturalmente temos dificuldade de manter o foco, principalmente quando os projetos necessitam de períodos mais longos de maturação. A responsabilidade por este tipo de situação é da alta direção ou do acionista principal. Ele acompanha o projeto de melhoria nos primeiros meses, estabelece metas, faz reuniões de acompanhamento e orienta a sua equipe. Com o passar do tempo, ele simplesmente abdica da sua função de liderança. Deixa de fazer reuniões regulares e aceita desculpas dos membros da equipe que não cumpriram os prazos combinados.
A melhor maneira de identificar essas pessoas é prestar atenção na estrutura dos seus discursos: investem muito tempo para falar do passado, não apresentam propostas de melhoria e ainda se especializam em recitar os verbos no gerúndio - estamos pensando, estamos planejando, estamos verificando, estamos...ando.
O líder tem responsabilidade de manter a disciplina de verificação dos resultados e de realinhar as ações para alcançar as metas propostas. O ciclo do planejamento não admite desculpas ou gerúndios. A saída é analisar o que deu errado, propor novas ações e levar outro plano para a reunião de avaliação, em vez de arrumar desculpas para aquilo que não deu certo. Normalmente o plano original não dá certo por ter sido mal executado. Nós, seres humanos, somos procrastinadores, gostamos de deixar tudo para depois e acabamos por não fazer o que tinha que ser feito.
Na minha vivência como consultor constato que, na maioria das vezes, os planos de ação não são executados porque as lideranças são omissas e conivente com colaboradores que deixam de fazer a sua tarefa no prazos estabelecidos. Quem elabora e executa os planos de ação, com responsabilidade, tem mais de 90% de chances de alcançar as metas propostas.