Considerada a empresa líder no mercado brasileiro de móveis com design, a Tok&Stok está presente em 17 cidades brasileiras, possuindo 28 lojas em todo o País, e empregando 3 mil funcionários. Recentemente, a companhia fez mais um avanço no mercado gaúcho. O diretor de novos negócios da empresa, Paul Edouard Dubrule, ressalta a importância do Estado para os negócios do grupo e fala das expectativas com a economia nacional.
Por que a empresa escolheu Porto Alegre para abrir uma nova unidade?
Paul Edouard Dubrule - A decisão de instalar uma nova unidade em Porto Alegre aconteceu pela boa performance da venda de acessórios e pequenos móveis aqui. A loja no formato Compact foi criada para atender a um público de shoppings em grandes cidades. Enquanto as lojas tradicionais, de rua, possuem cerca de quatro mil metros quadrados, as Compact têm entre 500 e 700 metros quadrados, e são voltadas para itens de reposição rápida, como acessórios e pequenos móveis.
Quais as vantagens desse novo modelo?
Dubrule - A ideia é aproveitar o fluxo dos shopping centers, onde os consumidores compram muito guiados pela oportunidade e pelas datas especiais, e fornecer uma alternativa facilitada de adquirir nossos produtos. Acho que esse novo modelo funciona muito bem, permitindo o acesso a um público diferenciado, que procura produtos de qualidade. Também aproveitamos o grande fluxo de consumidores em um mesmo espaço.
O que o Rio Grande do Sul representa para os negócios da Tok&Stok?
Dubrule - O Estado fica na terceira posição em ranking de vendas, competindo com Minas Gerais e Paraná. Com essa segunda loja, o Rio Grande do Sul deve crescer ainda mais. O que notamos aqui é que, em Porto Alegre, a participação dos acessórios e pequenos objetos é maior do que em outras áreas do País. Parte disso é resultado da concentração da indústria moveleira na região, o que faz com que a concorrência seja muito maior. Por isso talvez a participação dos acessórios seja mais importante, pois eles têm uma frequência muito grande de rotação de coleções e tendências, o que no caso dos móveis maiores é mais difícil de ser acompanhado pelas indústrias com a mesma rapidez.
De que forma o boom do mercado imobiliário está afetando os negócios?
Dubrule - Isso é um dos grandes drivers da performance em vendas que o setor moveleiro vem vivendo. Nas grandes cidades, o ritmo de lançamentos e entregas de novos apartamentos é muito grande, e isso afeta nosso segmento, pois a maioria das pessoas compra ao menos um móvel novo para sua casa nova. Esse crescimento deve acontecer por muitos anos, o que é grande oportunidade para nosso ramo.
Apesar do cenário positivo, economistas e líderes empresariais já demonstraram preocupação com a aceleração da economia. O senhor também tem receios de que o mercado brasileiro esteja superaquecido?
Dubrule - Claro que a preocupação com o superaquecimento sempre existe, especialmente em relação à inflação. Devido à demanda maior, já sentimos uma pressão sobre as matérias-primas, que é repassada para a indústria e o varejo. Mas isso ainda é controlável, e acho que o governo mostra que está agindo, especialmente com a elevação de juros.
A crise econômica afetou muito os resultados da empresa?
Dubrule - O grupo teve um crescimento similar à inflação no ano passado, o que é um resultado modesto, se comparado com os cinco anos anteriores, quando os índices apresentaram sempre dois dígitos. Mas 2009 foi muito difícil para todo o segmento. Ao longo do ano, os incentivos foram todos dados para outros setores, como automóveis, linha branca, materiais de construção. Isso tem efeito forte no consumidor final, pois ele acaba antecipando a compra dos produtos beneficiados e deixa de adquirir outros que não têm esse benefício. Felizmente conseguimos compensar a queda na venda de móveis, em parte, pelo crescimento nos negócios com acessórios.
A redução do IPI para os móveis foi um divisor de águas para os negócios?
Dubrule - Ele foi a melhor notícia que poderíamos ter recebido. No final de 2009, com a redução do IPI para móveis também, sentimos um crescimento forte nas vendas, e isso continua até hoje, apesar do fim do benefício. Desde dezembro, retomamos níveis do passado, e esperamos fechar 2010 com um crescimento entre 15% e 20%.
A família possui o desejo de manter o controle da empresa?
Dubrule - Não existe essa vontade, nossa missão é fazer bons negócios, e se isso envolver abrir mão do controle familiar, por que não? Já estudamos há alguns anos a possibilidade de abrir capital, o que não se realizou na ocasião, mas isso é sinal claro que não existe um desejo de manter a empresa com capital fechado dentro da família. Somos uma empresa bastante profissional, auditada há muito tempo, e que está pronta para seguir seu caminho, seja por abertura de capital, seja para seguir dentro da família, ou mesmo pela associação com outras companhias.
Já ocorreram negociações para uma possível venda da companhia?
Dubrule - Houve conversas com grupos interessados pela Tok&Stok, que acreditavam que havia possibilidade de sinergia, de juntar operações, talvez trabalhando com públicos diferentes. Então isso pode vir a acontecer, mas não no curto prazo. O futuro será uma questão de oportunidade e estratégia de crescimento. Queremos atingir novos mercados e públicos. Essa expansão sempre foi nosso objetivo. O varejo brasileiro está muito aquecido, dinâmico, vemos muitas empresas novas entrando no País, sendo criadas ou realizando fusões, e se você ficar parado acaba sumindo do cenário.
(Fonte: Jornal do Comércio)